Saturday, 17 November 2018

The Kissing Booth



"Love is not only something you feel, is something you do." David Wilkerson

Ando vidrada no netflix, tenho virado algumas séries e filmes por dia... sim acaba a ser o meu vício! 

Andei a evitar durante alguns dias ver este filme The Kissing Booth, parecia ser o filme do costume, com a cena do costume, dois melhores amigos, um gajo mais velho delicioso só de olhar... 

Nada de novo, um filme de adolescentes, pensas tu, no entanto, chega o minuto 45 e tu vidras, provavelmente porque é na minha opinião a cena mais romântica de todo o sempre.


Eu sou uma eterna romântica e irei toda a vida sê-lo, vivi a minha adolescência a chorar nas páginas de livros sem conta, entre amores proibidos, amores eternos, amores falhados!

Hoje lembrei-me de partilhar convosco um pedacinho do meu passado, um passado que existiu algum tempo antes de eu criar o blog e que eu sei que vocês nunca ouviram falar dele... para os mais sensíveis não se ponham a ler, pode ser demasiado descritivo e para maiores de 12.

Muitos pais pensam que raparigas e rapazes não se devem misturar, porque o sexo oposto os vai fazer perder a cabeça e fazê-los perder o focus dum objectivo maior, mas é quase impossível de evitar... eles andem aí... se não for um amigo será o irmão mais velho da amiga, ou um primo da amiga, ou alguém que nem tem conecção nenhuma. 

A psicologia diz que o primeiro amor de um menino é a sua mãe e o primeiro amor de uma menina é o seu pai, é saudável, faz parte do crescimento, depois quando o tempo começa a crescer o amor começa a florir por pessoas diferentes que vivem fora de casa e que fazem parte das suas vidas...

Eu tive tantos romances no meu tempo... E aprendi uma lição com todos eles.

Tantos mas tantos, o facto de ser uma romântica veterana fez com que desde que me lembro como gente que sempre tive alguem em vista, paixões daquele momento, paixões de vários momentos, fogo que ardia rapidamente e que desaparecia...

Mas eu também tive um amor assim, ele não era irmão de ninguém que eu conhecia, era alguém que eu via remotamente de raspão quando ia a casa da minha avó, estranho hein, mas ele tinha aquelas características que me atraiam na época, ele tinha o aspecto de todos os homens que me cativavam nas histórias, alto, cabelo preto, olhar profundo, um sorriso de me fazer tropeçar, foi assim algo avassalador, ele era 2 anos e meio mais velho que eu, e quando eu reparei eu estava a entrar na adolescência e de um dia para o outro ele estava um pão (ainda se diz a expressão «um pão»? perdoem-me mas a minha adolescência já passou há quase uma década e eu sou uma cota de 27 anos!)

Mas que gostoso, visitar a avó começou a ser algo bastante mais interessante que antes... era quase que obrigatório vê-lo, mesmo que fosse de raspão e nas meras ocasiões em que isso não acontecia a vida não tinha a mesma cor e ia para casa a perguntar à minha mãe se não podiamos voltar no dia seguinte... foram uns anos divertidos, sem dúvida... entretanto eu tive alguns romancezitos e continuei a crescer, ele parecia ter ficado estagnado naquela fase de eu lhe querer dar uma trinca... 

Os anos foram passando, eu rumei à universidade e ele tinha rumado para outro país... 

Aí eu pensei que tinha de acordar para a vida, eu ainda sonhei uns tempos acabar o curso, rumar ao mesmo país e fazer-me esbarrar com ele... (sim porque eu acreditava que o mundo era assim pequenino, todos os paises eram assim do tamanho de vilas e era fácil encontrar pessoas e esbarrar nelas) quando somos novos somos tão tontinhos.

Tinha eu 19 anos quando ele me apareceu no facebook, um pedido de amizade, O M G, a minha cabeça explodiu, mas I keeped my calm, não mostrei o meu jogo e quando ele voltou para as suas férias de Inverno, eu acabei a viver o romance da minha adolescência.

Assim mesmo quando a minha adolescência estava a acabar foi nessa altura que vivi o que ela tinha de melhor para mim.

Afinal eu descobri que a minha madrinha, alguém com quem eu tenho demasiadas parecenças para ser saudável foi o romance dele de quando ele era bem mais novo (naquele recanto remoto do mundo as paixões acontecem entre vizinhos... acreditem em mim... afinal, a minha madrinha acabou com o vizinho da frente ahah) e que entretanto eu fui a sua paixãozita quando comecei a crescer e devo-vos já dizer que quando eu tinha 18 anos, era bem jeitosa! ahah


A verdade é que vivi e cresci, ri tanto, fiz tanto disparate, lembro-me dum dia ele me ter ido buscar à estação, uma aula qualquer que não tinha acontecido, ou que eu tinha pulado, porque fazia sentido na altura, e de ter ido para casa dele, (não pensem coisas más... a mãe dele estava em casa connosco! Aliás acho que foi nesse dia que ela descobriu que eu odiava leite branco, acho que por momentos ela ainda se lembrava de mim em bebé ou algo assim estranho!) sair de lá foi o maior filme de todos os tempos, eles não tinham portão eléctrico então ele tinha de fechar e abrir o portão manualmente comigo no banco da frente com a minha avó a regar as plantas... mesmo em frente a mim e eu com a mão a tapar a cara, a ver se ela não me reconhecia, até ao dia de hoje eu tenho a certeza absoluta que ela sabe que era eu mas nunca me disse nada sobre o assunto.

Eu sempre fui muito discreta em relação aos meus romances, eu tinha de ser, os meus pais não aprovavam que eu os tivesse, tudo tinha de ser secreto o que ainda tornava tudo mais excitante. Mas nesse dia... sem dúvida que me arrisquei a ser mandada para um convento!

Eu não larguei o foco do objectivo maior, aliás talvez me tenha focado ainda mais na meta, tal como o Noah tinha de ir para a universidade, ele teve de voltar ao trabalho, acabou de forma catrastrófica e o meu mundo desmoronou, eu ergui a cabeça, pus o amor que lhe tinha numa caixa e guardei-a no sotão do meu coração para nunca mais lhe tocar.

Do meu romance restaram-me boas memórias, boas lições e uma réstia de amizade que nos une de uma forma que nem nós nem ninguém o consegue explicar. A verdade é que há pessoas que apesar de não serem para nós de uma forma não as conseguiremos nunca apagar da nossa vida, porque elas são marcos ou rituais de passagem, como queiram, que apesar de passarem, ficam ali, ficam na nossa vida e existem connosco. 

Se vos dissesse que sempre pensei que ia acabar no mesmo país que ele porque era o que fazia sentido e isso me deu mais forças para procurar uma mais a norte e ser forte como ele foi e sobreviver à experiência talvez não acreditem, mas a verdade é que eu tinha de ser tão ou mais forte que ele, porque ele me tinha incuntido e puxado pela minha força interior. 

A verdade é que aqueles cachopos que se riam no meio da praia de Espinho se tornaram adultos. A vida muda. Os sentimentos mudam. E nós mudamos imenso. Ele brevemente bate nos 30 (e está velho! ahah). A mim ainda me faltam 2 anos e meio (shiuuuu! eu permaneço uma jovem, com uma pele de menina!) e cada um está onde está destinado, da forma que está destinado.  

Resumindo, os amores da nossa adolescência moldam-nos, fazem-nos crescer e quanto mais secretos e proibidos, mais Je ne sais quoi tem! São saudáveis, uns agarram-se bem e estão destinados a durar, outros estão apenas destinados a fazer-nos ganhar uma perspectiva diferente do amor!

Em relação ao filme eu estou apaixonada por ele, e gostava que houvesse uma sequela, uma sequela para que os adolescentes e as pessoas em geral percebessem que há esperança, os amores à distância custam, mas com muita preseverança e luta constante se conseguem viver para sempre. 

Agora desafio-vos a ver o filme, relembrarem o amor da vossa adolescência e sorrirem por o terem vivido, porque eu sei que muita gente ve o passado com tristeza, mas devemos de olhar para o passado com os olhos do presente e perceber que tudo tinha de ser como foi para chegarmos ao dia de hoje.

Se eu faria alguma coisa de diferente, talvez, mas o dia de hoje é muito bom e eu estou agradecida e orgulhosa por ter chegado onde cheguei!

3 comments:

  1. Li o post na diagonal porque eu já ando com esse filme debaixo de olho há algum tempo e agora quero mesmo muito vê-lo!!! Beijinhos*

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  2. Great post!!

    PajaMala.blogspot.com

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  3. Não é o meu género de filme nem o tipo de história que goste mas parece ser giro.
    Beijocas.

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Saudações Negras