Wednesday, 16 October 2019

Viajar Sozinha - A Minha Experiência

Viajar sozinha já era algo que eu tinha em mente para fazer - mas como não sou muito fã de passar dias sozinha, afinal sou uma pessoa bastante comunicadora, nunca tinha realmente avançado com o plano -  a oportunidade não tinha surgido, e quando surgiu (porque o P* teve de voltar para casa para trabalhar, e eu decidi não voltar para casa e continuar a minha viagem)  eu agarrei-a e o destino foi logo Roma...



Inicialmente a ideia magoou-me imenso, porque Roma sempre foi um sonho de ir a dois, apesar de ele já lá ter ido, mas era um plano quase tão antigo como a nossa relação.

O primeiro dia custou-me bastante é verdade, não posso mentir, o P* tinha voado de manha cedo, eu tinha ficado em Florença sozinha, tive de fazer a mala, fazer o check out do hotel e isso custa-me sempre imenso, - mesmo acompanhada, detesto despedir-me das cidades - sair do hotel seguir no metro até à estação internacional de comboio de Florença, onde no dia antes tínhamos almoçado e apanhado o comboio para Pisa, e onde eu acabei a almoçar também, (aquele sentimento de solidão e saudade encheu-me o peito) depois decidi poupar no comboio e apanhar o mais lento, tipo intercidades, por acaso isso até foi bom, porque se tivesse apanhado o equivalente ao alfa, tinha tido ainda mais problemas e dificuldades... 

FYI - A Estação de Florença que faz ligação a Pisa e a Roma é a Florence Santa Maria Novella Station. 


Lá entrei para o comboio, com a minha mala de porão, a minha mochila, a minha tralha toda, esqueci-me de validar o bilhete, e ainda tinha alguns minutos, lá pedi à minha vizinha de banco para olhar pela minha mala de porão para ir validar, stressei logo por isso, mas acabei a voltar e a ter tudo direitinho, lá dentro fui direitinha, até estava minimamente calma, tinha o trajecto na minha mente ir até Roma Termini e de Termini tinha tudo planeado de como chegar ao hotel...


Bem, não fosse o diabo tecê-las... a estação de Termini, não estava a receber qualquer comboio porque estava com problemas eléctricos, então o meu comboio terminou em Orte, lá tive eu de trocar (com a minha mala de porão com cerca de 21kg) do comboio onde estava porque esse não iria parar em Roma Tirbutina, para um comboio que estava a fazer substituição, para podermos entrar em Roma. Esse comboio era muito mais lento do que o anterior, tive de ir de pé, com as tralhas todas, apertadas, num sitio onde nem sequer deveriam ir passageiros, mas íamos pelo menos mais 8 pessoas todas carregadas de malas e tralhas e demoramos cerca de 20 minutos que demoraram quase tanto a passar como todo o resto da viagem anterior.

Depois de quase 4 horas, estava já eu em Roma Tiburtina, mesmo apertadinha para ir à casa de banho, todos os WC que encontrei na estação ou estavam fechados, ou não estavam em funcionamento, BOLAS (well, foi mais um fo*****, mas vamos ser educadas)! O pensamento foi logo abrir a aplicação do mytaxi, para chamar alguém que me levasse para o meu destino, até porque estava já atrasada da hora do check-in, sim porque tinha sido o P* a tratar das reservas e eu não sabia que ia para um apartamento convertido, foi bem porreiro, mas a verdade é que não tinha alguém disponível a todas as horas para fazer check-in. OK.

Lá consegui um taxi, que devido a um acidente nunca mais aparecia... porque um azar nunca vem só... o homem lá me cancelou, como toda a gente que vinha naquele comboio e noutros comboios que sofreram o mesmo que eu, estava cansada e só queria chegar aos destinos o mais depressa possível e em Itália a app do Mytaxi é muito mais acessível que a da Uber, foi impossível de voltar a encontrar um, desisti, chamei um Uber, quem aceitou estava em pausa na garagem, demorou 15 minutos a terminar a pausa, depois mais 7 minutos a chegar à minha beira,já experimentaram estar à seca, com chichi, cheias de bagagem? Confesso é mesmo do Pior! - mas no meio do azar, até tive sorte.


O Marco foi-me buscar, um senhor nos seus 50 anos, bem simpático, bem falado e claro, bem italiano, apreciador do Dolce Far Niente duma boa refeição e de um bom vinho, ensinou-me alguns factos interessantes sobre a cidade, a cultura, aconselhou-me alguns sítios onde ir, que guardo no coração e onde planeio ir um dia, esta não era a viagem. Alguém que me incentivou a fazer mais  viagens sozinha e em parte eu concordei com ele, Bella, se viesses acompanhada não estarias a falar comigo, estarias a falar na tua língua com a tua companhia, e isso seria um grande erro, para além disso, sozinha, sais à hora que queres, falas com quem queres, segues apenas o teu rumo e não serás influenciada por opiniões alheias. Acredita será uma experiência que guardarás para a vida e depois de experimentares voltarás a repetir.

Nesse dia, percebi a opinião dele mas tipo pensei, Oh porque eu gosto de viajar acompanhada e o que gosto mesmo é de ver o mundo nos olhos dele e que ele me mostre tudo, bla bla bla.

Deixou-me à porta do sítio que seria a minha casa nas próximas 4 noites, lá fiz o check-in, e assim que fechei a porta do meu quarto, chorei, derramei gotas grossas e formei um rio olhos abaixo. Estava sozinha, depois dum dia extremamente stressante, num lugar que nunca tinha visitado, com pessoas que mal falavam inglês, num quarto de casal gigante, e incerta do futuro. 


Tive muito apoio, tive muita companhia e estarei sempre grata a todos que estiveram ali nos momentos mais difíceis! Especialmente no primeiro dia, senão tivesse tido provavelmente teria pegado na mala e voltado com o rabinho entre as pernas para casa!

Nesse primeiro dia acabei por não ver nada, ver apenas o que rodeava o hotel, acabei a comprar meia dúzia de coisas na Tiger, a ir ao supermercado comprar coisas para jantar e para o pequeno almoço e acabei a noite assim, no hotel a escrever os meus sentimentos, num caderno que trago comigo.



Esta música andou comigo todos os dias, eu cantei na rua, mesmo desafinando, eu estava livre de preconceitos, acreditei no dia de amanhã, aproveitei o dia de hoje e fui feliz!


O primeiro sítio que visitei foi a Fontana de Trevi, depois perdi-me ahah, e acabei a voltar à Fontana! Foi mágico.

Andei sem agenda, sem pressa, vi, estudei, tirei conclusões, perdi-me todos os dias, sujei a roupa, ri-me perdida, falei com pessoas descobri sítios e vivi cada momento.

Se gostei de estar sozinha? Oh pah eu estava a precisar sinceramente! Eu encontrei em Roma uma Mariana que eu já não via há muito tempo, encontrei a minha energia e quero trabalhar mais em mim desde esse momento.

Não amei estar sozinha, mas viajar sozinha foi uma experiência bem agradável devo confessar, foi uma experiência que acho que toda a gente devia de passar pelo menos uma vez na vida, uma re-avaliação da tua realidade. Faz bem a qualquer pessoa! Falei com estranhos, fiz boas acções, passei horas sentadas em escadas, analisei a minha vida e descobri o que realmente queria dela.

Depois falo-vos dos sítios que conheci e visitei, hoje é só mesmo a minha experiência a viajar sozinha e não a minha experiência em Roma.

Antes de ir li foruns e etc, incentivam as pessoas a irem em tours e jantarem com estranhos, trocarem contactos... etc etc... nã... seguir uma gaja de guarda-chuva amarelo não é de todo a minha onda, comer com estranhos muito menos... E a verdade é que entre as refeições que fiz in-room, (Roma é caro, estamos em crise!) As outras refeições fiz sentada a observar estranhos e a analisar o que estes faziam... Sim, é um hobby estranho... mas eu sou uma pessoa estranha e para mim faz sentido!

Roma não é assustador, tive pessoas que me abordaram, algumas tive medo, mas foi tudo na paz do senhor!

O meu resumo e feedback da experiência:
É seguro viajar sozinha, mesmo sendo uma mulher, é uma experiência única, uma experiência essencial à vida. 
Uma experiência fantástica e de auto-conhecimento. 
Estava na minha lista de coisas para fazer, tinha medo de o fazer... mas às vezes, temos de agarrar no medo, dar-lhe a mão e seguir em frente, mesmo com ele, como nossa companhia...

E se a atitude inicial era eu vou aqui ficar para lhe provar que sou capaz, deixei com Roma com a certeza que provei a mim mesma que era capaz.


Provavelmente irei repetir um dia!

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