Wednesday, 17 March 2021

Racionais ou Emocionais

 O mundo está cheio de crenças incongruentes, toda a vida acreditei que apenas poderíamos ser racionais ou emocionais...

Racionais esses frios e calculistas que pensavam mil vezes antes de mexer um pé e claro os emocionais, a categoria na qual me classificava, aqueles talvez ligeiramente bipolares que riem até chorar, em que a dor doí de forma descompensada.


Talvez devesse ter percebido a conclusão que cheguei hoje quando um carro se afastava e uma mãe lavada em lágrimas acenava adeus a um filho, que deixava as lágrimas correr pela cara abaixo por se despedir para ir abraçar uma nova vida que os racionais sentem, sentem à sua maneira, talvez então tenham apenas uma forma diferente de se exprimir?

Talvez devesse ter percebido quando os emocionais, se dispersaram culpando-se uns aos outros pelas maleitas das vidas de cada um, quando foi apenas um ciclo de vida que mudava, de costas voltadas, uns deprimidos, outros revoltados, outros de forma oportunista a agarrar a situação como forma de desculpa para fazer tudo mal... 

Então emoção, razão, a forma como cada um pode ser quantificada? Eu pensava que sim, e de certa forma a emoção, tal como a dor pode ser quantificada, mas tal como a dor não pode ser standarizada o que é algo muito estranho para uma enfermeira, afinal, a gente quantifica tudo, mas a verdade é que mesmo quantificado é muito fácil perceber, ora analisemos um batimento cardíaco de 76, por exemplo, vamos conectar 5 pessoas a bater a 76 a um eletrocardiograma, serão esses 5 ECG's iguais? Não claro que não, mas não estavam todos a bater a 76 batimentos por minuto?! E todas as pessoas reagem da mesma forma a um batimento de 76? Também não, uma velhinha pequenina e fofinha que normalmente bate nos 40, atingir um 76 vai sentir que o coraçãozinho lhe está a fugir do peito... Mas por exemplo um doente com Fast AF descompensada que esteja a bater a 150 nos últimos 2 dias quando atinge os 76 está fisiologicamente preparado para fazer uma sestinha.


Então quem não mostra a sua emoção ou a sua dor, sente menos do que aqueles que a sentem, quem leu o prefácio daquele livro que eu anunciei mas nunca mais publiquei talvez nada sobre ele já sabe que a sociedade acredita que sim, mas que não é verdade, então emoção é a mesma coisa. Esta sociedade dos contos de fada espera grandes gestos românticos, mulheres perfeitamente puras e singelas que precisam de ser salvas pelo príncipe encantado... mas não é que a gente tem uma expressão para isso "Tudo para inglês ver!"


Então se criticamos o exagero vazio, porque é que a expectativa no que criticamos? Suspeito, certo?!

Qual é essa ideia de querermos que um homem seja arrebatador com os maiores gestos do mundo se somos aquele tipo de mulher que não quer que um homem a salve mas sim que volta ela sinta o coração dar um pulo porque ele lhe mandou uma mensagem, ou que o coração salte um batimento porque ele fez algo inesperado... ou apenas alguém que quando estamos a conversar nos ouça realmente?


Afinal o que é que nós queremos?

Afinal quem sou eu? 

A emocional? A racional?


Bem, eu já fui emocional, eu já perdi o controlo dos meus pensamentos, já perdi controlo das minhas emoções! E quando a vida me deu oportunidade de crescer? Perdi-me mais um bocadinho, atirei-me ao fundo dum poço...


E como é que eu saí de lá? Nem eu percebi bem, é um facto: eu não percebi bem quando saí, eu só sabia que queria ser salva, mas eu não precisava de salvação, quando eu lá cai não havia forma de subir ao poço, estava tão escuro... mas entretanto alguém me atirou um sabre de luz (Sim, Star Wars Style) e eu fui capaz de ver a corda que sempre lá esteve, com alguma iluminação pelo caminho eu lá consegui sair, porque o poço não era tão fundo como parecia, e apenas eu me poderia salvar mas a floresta até chegar a casa era densa... 


Pelo caminho descobri pedrinhas e montanhas e lá as fui ultrapassando, hoje descobri que eu sou simplesmente Racionalmente Emocional.

Isto para alguns parece história de criança de pais separados que não consegue escolher lados, a verdade é que eu sou uma adulta de pais separados, e verdade mais absoluta que isso é que eu sei fazer as escolhas que tenho de fazer nos momentos que tenho de as fazer, afinal escolhas não são absolutas, e hoje o que parece certo amanha pode não ser, então porquê decidir hoje o que não interfere com o nosso momento?

É mesmo uma coisa de se deixar levar pelo momentum, parece uma teoria alentejana, mas não é! O que eu sei hoje não sabia ontem e talvez amanha venha a descobrir algo que o mude... portanto, Take a seat and enjoy your ride!

Mas basicamente o que é isto que eu decidi intitular de Racionalmente Emocional, basicamente é a capacidade fenomenal de controlar as nossas emoções... e sim podem vir com a teoria da impulsividade, os emocionais são normalmente impulsivos, OK, fair enough, e que tal impulsividade com moderação? Uma harmonia perfeita entre a ponderação e a espontaneidade.

É uma linha ténue, uma arte a ser aperfeiçoada, no entanto os emocionais só tem uma linha da equação, as suas emoções relativas a uma acção e isso faz com que reajam, e como é que eu controlo isso? Algo que me pareceu aterrorizador mas tão fácil de fazer, adicionar linhas à equação duma forma muito específica:

basicamente analisas a situação se não estivesses envolvido

  • Parte da equação é o eu, como é que eu me sinto? porque é que eu me sinto assim? A forma que eu estou a reagir tem apenas a ver com a situação em questão? As minhas experiencias e aprendizados... 
  • outra parte da equação é a pessoa, porque é que ela fez isto? qual poderão ser os motivos para tal acontecer, as suas experiencias
  • Algo que eu amo adicionar também são os cenários, como é que eu me vou sentir melhor a curto, médio e longo prazo, partir uns pratos poderia ser giro, mas depois vou precisar de comer e vou-me arrepender de os ter partido, onde é que eu quero chegar e como é que a minha reacção afectará isso, mas acima de tudo ser fiel a mim mesma, se na verdade eu não quero tratar a pessoa mal, e isso só me faria sentir bem naquele momento porque estou a ser egoísta e apenas quero fazer aquela pessoa sentir-se mal pela maneira que me fez sentir, não vale a pena, porque na realidade eu depois vou sentir-me mal ao quadrado, vou me sentir mal pelo que senti na altura e pelo arrependimento de a ter tratado mal, por isso de que me adiantaria?


E para ser honesta, até sabe melhor, porque aí deixas o registo agressivo-passivo e um ciclo vicioso de acção-reacção, porque num registo mais assertivo tu cortas um pouco a reacção da pessoa à tua reacção à sua acção, complicado? Bem eu explico:

Nós somos animais, racionais, mas animais, o nosso instinto é estar sempre preparado para lutar, amor com amor se paga e tal...

Então quando tu não reages mal a uma acção negativa contra ti essa pessoa fica tipo com a cara do smile :O e agora?! eu não estava preparado para uma reacção neutra ou positiva... e vocês até podem pensar mas isso é uma atitude de menina, então por essa lógica se me derem um estalo eu dou a outra face? Não, de todo, simplesmente (eu que já fui toda a favor de vingança fria servida ao pequeno almoço e não me levou a lado nenhum, pelo contrário) uma atitude mais assertiva, uma atitude mais assertiva pode magoar muito, mas muito mais que uma atitude mais agressiva, e porquê? Porque nos faz parar e pensar no que andamos a fazer da vida.

E o que conseguimos duma reacção agressiva? NADA! Sentimo-nos pior e arrependidos, a outra pessoa não percebeu o que fez, gasto de energia e tempo desnecessário.


A minha gata às vezes assusta-se e arranha-me, eu fico chateada mas passa, porquê? Porque eu sei que ela estava assustada, outras porque eu a magoei, outras porque está aborrecida, outras porque quer a minha atenção ou sente que eu não a estou a ver, as pessoas também são assim, e às vezes se conseguirmos perceber como as pessoas se estão a sentir no momento é muito mais fácil de controlar as nossas emoções.


Outra maneira muito boa é controlo de expectativas, compreender que às vezes as coisas correm mal, compreender que os outros são tão humanos como nós ajuda, ninguém é perfeito! E saber que tudo pode acontecer, quando tens uma capacidade de correr cenários positivos, neutros e negativos deixa-te mais preparado para um controlo de emoções, porque elas deixam de ser tão extremas, então sais daquele modo de vida equivalente a seres uma pistola com pernas pronta a disparar. 


Conclusão: é possível, é um modo de vida que parece mais exaustivo, no entanto é mais relaxante, na realidade estar sempre na acção-reacção e na oscilação do passivo-agressivo é exaustivo, quando sabes que certas coisas podem acontecer já tens o discernimento de ter uma resposta à situação muito mais clara, muito mais focada. Uma coisa que comecei a sentir foi que não deixo coisas por dizer, quando faço a minha resposta assertiva digo exactamente o que quero dizer e fico por ali, assunto resolvido. Muito mais simples que andar com nhe nhe nhes e ficar com aquele sentimento pendente de podia ter dito isto ou aquilo ou podia ter feito melhor!

Não, o sentimento com que hoje fico é orgulho pela pessoa que me tornei e pela forma como reagi à situação.


Os últimos 16 meses foram um longo caminho, mas cada vez mais percebo a necessidade deles e a mulher que existe hoje no lugar da que fui! 

O que inspirou este post, ahah, tanta coisa, mas o maior impulsionador foi a música Believer dos Imagine Dragon que ouvi às 4 da manhã e me fizeram simplesmente agarrar no pc e escrever...











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