Saturday, 3 April 2021

Disrupção do Status Quo

Basicamente o "Status Quo" é a condição que permanece antes de qualquer alteração.


Cada um de nós tem o seu lugar certo e exato em tudo, nas suas relações, no trabalho, na sociedade. E quando isso não se altera esse é portanto o nosso status quo.


É por assim dizer semelhante à Lei da Inércia, nós também criamos resistência e tentamos tudo por tudo permanecer no nosso "Status Quo".

Este post vem em seguimento ao post anterior, foi impulsionado pela música Numb dos Linkin Park


Depois de ouvir a música Believer que impulsionou o post anterior fui nesse mesmo dia para a cama e o Youtube sugeriu-me esta música, que eu amo há anos, desde os meus tempos de adolescente, uma música que já conta com 17 anos e só nesse dia é que a ouvi de forma completamente diferente das milhentas outras vezes que a tinha ouvido. Portanto estou quase há 3 semanas para encontrar as palavras certas para escrever este post. Que não é tão simples quanto isso.


Esta música esteve sempre tão presente na minha vida, se calhar era um prenúncio, um prenúncio de morte, não de todo como eu me sentiria mas sim como eu um dia faria alguém sentir... Afinal esta música sempre cantou por assim dizer para mim, como se fosse uma confissão que alguém jamais conseguiria fazer, e no entanto, fi-lo sem sequer reparar e hoje tenho consciência finalmente do que me dizia!


A verdade é que tal como mencionei no post anterior é que quando só nos focamos na nossa equação deixamos de ver os outros, deixamos de os compreender e exigimos perante as expectativas loucas que criamos na nossa cabeça, pela maneira que nós reagiríamos à situação, no entanto, cada um de nós somos o resultado de uma equação muito diferente e quando adicionamos algo vamos obter diferentes resultados.


Para explicar o meu raciocínio vou-vos dar alguns exemplos:

Quando me tornei enfermeira tive um total de 12 anos de estudo mais 4 de licenciatura, não me atiraram num hospital e me disseram agora faz, não, tive sempre alguém que me acompanhou sempre, incluindo quando fui capaz de evoluir e assumir novas funções.

Houve uma progressão gradual e natural do status quo. 

Por exemplo não colocamos um analfabeto num trabalho que tenha de fazer transcrições de 200 palavras por minuto, não faria sentido, certo?

Claro, seria a receita para o desastre!

Então nos nossos trabalhos temos as nossas funções, ora porque estudamos, ora pelas nossas personalidades ora pelas nossas capacidades ou vivencias, etc., são várias as variantes a ter em consideração.


O nosso lugar para os nossos amigos depende exatamente das mesmas coisas, tal como as nossas relações!


Eu sou aquela pessoa que luta, sou a princesa no cavalo branco que salva os outros, muitas vezes de si mesmos, que os tira dos poços fundos, que luta por eles quando eles não são capazes de o fazer por eles.

Mas tinha eu verdadeiramente lutado por mim sem as vozes do exterior a dar opiniões? Não!


Eu exigi o desastre sem considerar as equações dos outros, eu exigi que sem prática, experiência ou mesmo treino fizessem o que só eu faria e no falhanço de não serem capazes de se tornarem a pessoa que eu sou tiveram a necessidade de se tornar mais quem eram! Porque aquele sentimento, com mais de vinte anos, de não serem suficientes de salvarem alguém tão importante, aquele sentimento de abandono, aliado às minhas críticas, às minhas pressões, às minhas inseguranças, à minha capacidade de agarrar com força a mais e nem deixar respirar, as minhas desconfianças, fez com que tudo o que tu eras caísse mesmo em frente de mim, tu deixas-te de ser tu muito depois de eu ter deixado de ser eu, e isso tornou-te dormente, causado pelo sentimento de me estares a falhar e dessa forma tiveste de te libertar, para seres mais tu, na necessidade de não voltares a ver novamente alguém que tanto amavas, abandonar-se e abandonar-te a ti.


Não houve mais nenhum motivo ou razão e eu sei disso!


Mas vou-te contar um segredo, de certa maneira eu é que te condenei ao falhanço, eu tentei-te dar as rédeas duma luta que tu não estavas preparado para fazer e que eu não estava preparada para te dar o controlo dela! Lamento.


E se hoje ainda pensares que fui a única capaz de te conseguir salvar e que tu tinhas essa responsabilidade e dessa forma falhaste às tuas responsabilidades e promessas, por favor não o faças!


Este era o meu caminho, longo e doloroso, esta era a minha responsabilidade, a salvadora era eu, tu eras o pacificador, e eu não conseguiria fazer esta transição na paz. A minha transição de menina a mulher teria de ser na luta, esse é o meu status quo.


LUTAR! E desta vez a responsabilidade de lutar por mim só a mim pertencia. Eu pela primeira vez tinha de lutar por mim. Reconstruir o meu castelo, o que tinha sido desfeito por mim. O caminho era meu e só meu! Quando finalmente o aceitei, tornou-se mais fácil, saí do poço onde deixei que me pusessem, renasci das cinzas e como uma fenix, voltei na minha essência mas mais forte que nunca, voltei a mulher que já devia de me ter tornado à tanto tempo!


Tinha de ser assim, não poderia ser de outra maneira e na verdade de uma maneira ou de outra tudo correu bem e eu reconheço isso! À Mariana o que é da Mariana.


Se por momentos exigi que fosses o príncipe no cavalo branco que me viesse salvar, foi erro de perspetiva, foi medo da luta que tinha pela frente porque eu não sabia que era capaz, porque tu sempre me viste como a mulher que eu sou hoje, mas só recentemente é que eu fui capaz de a ver.


Eu sou a minha princesa de cavalo branco, eu tinha de me salvar, tu eras apenas o castelo do meu coração, quem tomava conta dele, quem o confortava, tu eras quem punha as peças juntas depois de uma luta longa.


Eu jamais poderia ter posto nas tuas mãos as responsabilidades que a mim incumbiam. Foi receita para o desastre. Se eu tivesse ido à minha luta, hoje estarias aqui para pôr as peças juntas e fazer tudo melhor.


Mas na verdade eu não sabia melhor, eu não me sentia preparada, eu estava zangada e farta de lutar e queria que lutasses tu desta vez. Não podia ser, foi injusto da minha parte. Eu vim ao mundo para lutar e algum dia tinha de lutar por mim... esse era o dia... e tinha de ser assim!

Está tudo bem, hoje luto com um sorriso porque sei que foi a missão que eu escolhi. O que tem de ser tem muita força então mais vale fazê-lo com um sorriso porque um sorriso torna tudo tão mais fácil.


Tudo ficou bem, eu vi isso. E tudo irá correr bem, eu hoje acredito. Como? De que maneira? Não sei, logo se verá, no momento certo.


Sê feliz. Porque me deste a mim a capacidade de o ser simplesmente acreditando em mim como eu nunca acreditei e por isso ser-te-ei eternamente grata. Por essa tua fé em mim, talvez cega, que só depois de tudo isto eu finalmente me consegui ver como tu me vias.

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Saudações Negras